Explicações de Estatística
Marcar Sessão

Desenho de Investigação para Mestrado: Do Problema às Conclusões

O desenho de investigação é a arquitectura do teu estudo — define o que vais medir, como e em quem. Erros aqui propagam-se até à defesa. Este guia cobre os pontos críticos para mestrandos.

1. Tipos de investigação

Quantitativa

Mede variáveis numéricas, testa hipóteses, generaliza para populações. Usa estatística inferencial.

Quando usar: questões do tipo "quanto?", "existe diferença?", "qual a relação?"

Qualitativa

Explora significados, experiências e contextos através de entrevistas, observação ou análise de documentos.

Quando usar: questões do tipo "como?", "porquê?", "o que significa?"

Mista (Mixed Methods)

Combina ambas as abordagens para obter uma visão mais completa. Requer justificação clara da combinação.

Quando usar: quando uma abordagem única não responde à questão completamente.

2. Tipos de estudos quantitativos

Tipo Descrição Exemplo
ExperimentalControlo e manipulação de variáveis; randomizaçãoEnsaio clínico com grupo de controlo
Quasi-experimentalManipulação sem randomização completaPré-teste/pós-teste em turmas naturais
CorrelacionalRelações entre variáveis, sem manipulaçãoSatisfação vs. desempenho académico
Descritivo/TransversalDescreve uma população num momento únicoQuestionário de hábitos de estudo

3. Questão de investigação e hipóteses

Questão de Investigação

Deve ser: específica, mensurável, relevante e responsável dentro do tempo disponível.

❌ "O que afecta o desempenho académico?"

✔ "Existe relação entre a satisfação com o curso e a média final em alunos de licenciatura da Universidade de Lisboa?"

Hipóteses

H₀ (nula): não existe efeito/relação
H₁ (alternativa): existe efeito/relação

H₀: Não existe correlação entre satisfação e média (r = 0)

H₁: Existe correlação positiva entre satisfação e média (r > 0)

4. População, amostra e número de casos

Amostragem aleatória
Cada elemento tem igual probabilidade. Mais representativa.
Amostragem por conveniência
Elementos disponíveis. Mais comum em mestrados. Limita generalização.
Amostragem por bola de neve
Participantes recrutam outros. Usada em populações difíceis de aceder.

N mínimo: para análise de correlação e regressão tipicamente n ≥ 50–100; para AFE n ≥ 5×número de itens. Usa sempre Power Analysis para calcular o n adequado ao teu estudo.

5. Instrumentos de recolha de dados

Questionários

  • Escalas Likert (1–5 ou 1–7)
  • Validar com AFE + Alpha de Cronbach
  • Pré-teste em 5–10 pessoas
  • Ferramentas: Google Forms, Qualtrics, LimeSurvey

Entrevistas

  • Estruturadas, semi-estruturadas, não estruturadas
  • Gravar com consentimento
  • Transcrever e codificar (NVivo, ATLAS.ti)

Dados secundários

  • Bases de dados públicas (INE, Eurostat, OCDE)
  • Registos administrativos
  • Dados de redes sociais / web scraping

6. Validade e fiabilidade

Validade

  • Interna: os resultados devem-se à variável estudada, não a outras
  • Externa: generalizabilidade para outras populações/contextos
  • De construto: o instrumento mede o que pretende medir (AFE/CFA)
  • De conteúdo: os itens cobrem adequadamente o construto

Fiabilidade

  • Alpha de Cronbach: consistência interna (α ≥ .70)
  • Omega de McDonald: alternativa mais robusta ao Alpha
  • Test-retest: estabilidade temporal
  • Inter-rater: acordo entre observadores (Kappa)

Páginas relacionadas

Metodologia de Investigação

Fundamentos de metodologia.

Power Analysis

Calcular o tamanho da amostra.

Escolher o Teste Certo

Fluxograma de decisão.

Psicometria

Validação de escalas e instrumentos.

Guia APA 7

Formatar a metodologia e resultados.

Marcar sessão de desenho de investigação →